Agregando Inteligência ao Prontuário Eletrônico do Paciente

Guilherme

, Opinião

Entretanto há alguns problemas: a maioria dos PEPs é apenas um sistema passivo e burocrático de registro de informações (“escreve-e-lê”), que contribui pouco ao processo médico de diagnóstico, conduta e acompanhamento, pois muitas vezes o seu foco é mais administrativo e financeiro, do que clínico. Os médicos e enfermeiros se queixam, com razão, que a utilização do PEP apresenta uma usabilidade deficiente, muito complexa e demorada, que impacta negativamente a produtividade do profissional no seu dia a dia, e que desvia a sua atenção ao paciente. A consequência principal? A implantação e uso do PEP na maioria das vezes encontra uma alta rejeição por parte dos profissionais clínicos.

No entanto, a situação pode ser corrigida e adoção grandemente aumentada, se as empresas desenvolvedoras passarem a incorporar várias funcionalidades e conteúdos de apoio à prática clínica que levem a um PEP mais poderoso e mais inteligente, e que realmente ajude o clínico.

Elas podem ser, por exemplo, funcionalidades e ferramentas que tornem o PEP mais ágil e produtivo e que ajudem nas decisões; que proporcionem o acesso imediato, durante a atenção ao paciente, a conteúdos de informação científica e clínica úteis, bem como a utilização mais extensa de padrões de usabilidade e ergonomia que simplifiquem seu uso e escondam a complexidade.

Essas novas funcionalidades, denominadas coletivamente de SADC s(Sistemas de Apoio à Decisão Clínica), devem ser integradas aos diversos módulos do PEP, para uso no ponto de assistência, para que o profissional as utilize sem ter que deixá-lo e ser obrigado a mudar para outro software.

Uma das áreas de agregação de inteligência aos PEPs, que se tem destacado como uma inovação importante nesse aspecto, e é muito apreciada pelos médicos e outros profissionais, é o acesso a informações científicas e clínicas a partir do próprio prontuário. Como funciona?

Muitas vezes, o profissional clínico tem dúvidas a respeito de alguma informação que precisa registrar, como o preparo necessário para um determinado exame, um medicamento ou procedimento novo ou pouco frequente, um resumo de artigo científico, capítulo de livro ou uma diretriz ou consenso médico que embase uma decisão, um atlas de referências de imagens de radiologia ou patologia, protocolos de diagnóstico e conduta, e muito mais. A média mundial é de quatro perguntas por consulta ou visita hospitalar, sendo que, por deficiência dos PEPs, a maioria fica sem resposta imediatamente, ou há uma demora e ineficiência se o profissional tiver que sair do PEP e usar outro programa de busca,

Assim, seria muito útil se PEP pudesse incorporar o que chamamos de “acesso à informação dependente do contexto”. Ele pode ter “links” para essas informações adicionais, que são chamados de “InfoButtons” (botões de informação). Por exemplo, o nome de um medicamento receitado para o paciente é grifado em azul, e ao clicar nele, o médico tem acesso imediatamente a um resumo contendo a bula do medicamento, indicações, efeitos adversos, precauções especiais, interações com outros medicamentos, e alguns artigos científicos ou páginas de informação constantes de um banco de conhecimentos confiável e de alta qualidade; os quais, por sua vez, também são linkados ao texto completo on-line.  Atualmente existem vários provedores de informação pesquisáveis por diretamente pelos InfoButtons, como, por exemplo o Elsevier Clinical Key, o PubMed (para pesquisa bibliográfica de artigos científicos),  e vários outros.

Diversas pesquisas demonstraram a enorme utilidade dos InfoButtons no PEP: os médicos obtiveram resposta para 85% das perguntas, levando a uma melhora da decisão ou aprendizado em mais de 62% dos acessos, e em apenas 35 segundos, em média. A implementação dos InfoButtons em qualquer PEP é muito simples, e bastante facilitada pela existência de um padrão de interoperbilidade, desenvolvido pela Health Level Seven (HL&), a maior entidade desenvolvedora de padrões do mundo. O HL7 Brasil já está trazendo e ensinando as empresas desenvolvedoras e usuários a utilizarem esse padrão.

Renato M.E. Sabbatini, PhD, do Instituto Edumed e Instituto HL7 Brasil