Cirurgia robótica ganha espaço em hospitais brasileiros

Remover um tumor na próstata e sair do hospital poucas horas depois, sem necessidade de permanecer por dias internado. Em um passado não muito distante, essa ideia poderia ser considerada absurda, mas já não é. Uma tecnologia desenvolvida nos Estados Unidos e que tem crescido no Brasil, permite o uso de robôs para auxiliar na execução de cirurgias, reduzindo o tempo de recuperação e tamanho dos cortes. Entre as vantagens, estão, ainda, a redução das chances de infecção hospitalar e hemorragias.

“A técnica cirúrgica robótica favorece a recuperação do paciente, pois a cirurgia é mais ergonômica e permite que ele volte, em pouquíssimo tempo, à sua rotina”, garante Fernando Marsicano, urologista, especializado em cirurgia robótica pela Escola de Medicina da Universidade de Miami. O médico destaca, também, que a utilização do recurso permite que tanto a operação quanto as suturas possam ser feitas com maior precisão. “O resultado pós-operatório também é melhor e a necessidade de hemotransfusão é bastante reduzida”, ressalta.

“Atualmente, a prostatectomia é um dos procedimentos mais realizados, consistindo na retirada total do órgão”, pontua Marsicano. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, a próstata é o segundo local mais afetado pela doença, entre os homens. “Esse tipo de cirurgia reduz a dor pós-operatória, bem como o sangramento. Além disso, por ser menos agressiva, é significativamente menor a chance de lesionar nervos que podem causar impotência sexual ou incontinência urinária”, pondera o cirurgião.

Pacientes que necessitam de cirurgias renais também são beneficiados pela tecnologia. “Quando removemos um tumor no rim de um paciente pela cirurgia convencional, é provável que ele terá que permanecer no hospital por, pelo menos, uma semana. Esse período é o mínimo necessário até que as camadas de músculos voltem ao normal, em uma longa recuperação por causa da incisão”, pontua. “Isso não ocorre na cirurgia feita por robôs, é provável que a alta seja dada em torno de dois dias”. De acordo com Marsicano, graças a essa nova modalidade terapêutica, a cura de um câncer renal pode ser obtida removendo parcialmente o órgão, de forma mais precisa e menos invasiva.

O robô

“O robô reproduz meus movimentos enquanto controlo o joystick. Qualquer movimento que eu fizer, ele repete”, explica. Para ele, uma das grandes vantagens é que, pela máquina, existe a possibilidade de se chegar até o alvo por pequenas incisões, de 8 milímetros, ao invés de uma grande, com 15cm, por exemplo. “É o mesmo que usar as próprias mãos, só que elas tornaram-se equipamentos”, compara.

A visão, com uso dos aparatos, fica ampliada em 15 vezes e com imagens em três dimensões do local da cirurgia, graças a uma câmera acoplada a um dos ‘braços’. Para operar a máquina, o cirurgião utiliza o robô e seus braços mecânicos são montados com auxílio de outros profissionais, colocando-os diante do paciente. “Trata-se de algo a ser somado ao corpo clínico e não uma substituição a ele”.

Segundo o Intuitive Surgical, que desenvolveu o equipamento, 36 robôs já estão em uso na América Latina e o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi o primeiro no Brasil a utilizar a tecnologia. Atualmente, o procedimento é realizado, no país, em outras instituições de renome, como os hospitais São Luiz e Albert Einstein.

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