Gestão estratégica da inovação é vital para o desenvolvimento do setor de saúde

Guilherme

, Indústria

Na última quinta-feira (18) ocorreu, durante a 5ª edição do Cimes (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde), o Talk Show: Avaliação da gestão estratégica da inovação, que contou com uma mesa de debate moderada pelo professor Donizetti Louro, CEO da Lauris Tecnologia, composta por Luiz Carlos Bruzadin, diretor de negócios da Intel para América Latina; André da Silva Santos, do Centro de Oncologia Integrativa e Prevenção – COIP; Júnia Cordeiro, terapeuta ocupacional e docente em gestão da saúde e Ailton Jussani, diretor de inovação e gestão estratégica da Lauris Tecnologia.

image1Os especialistas discutiram sobre como fazer um planejamento de pesquisa, baseado no desenvolvimento adequado da inovação, e como fazer a gestão estratégica da inovação dentro de uma empresa do setor da saúde. O conhecimento e a prática de técnicas e ferramentas de gerenciamento de projetos de inovação são imprescindíveis. “A visão sistemática faz parte de processo de sucesso. Para entender a gestão da tecnologia estratégica a gente passa por vários processos”, destacou Donizetti Louro na abertura do debate.

O processo de gestão da inovação, por ser dinâmico, requer acompanhamento, avaliação, atualização e redirecionamento constantes, aprendendo com o sucesso e com o fracasso, sendo necessário estabelecer e monitorar um sistema de indicadores em que considere, além da relação custo benefício, pessoas (adequação e capacitação de equipes), estratégia (clareza de foco e desdobramentos), processos (efetividade e eficácia) e recursos (disponibilidades e adequação aos objetivos empresariais), dentre tantas outras questões bastante relevantes.

Para Luiz Carlos Bruzadin, o que pode ajudar a potencializar a gestão estratégica da inovação é olhar com mais afinco para a indústria médica. “A colaboração entre a indústria e entidades para que os produtos desenvolvidos sejam disponibilizados para o ecossistema, é muito importante. É preciso também trabalhar com o governo para a regulamentação de produtos inovadores”, ressaltou o diretor, que ainda acrescentou: “Outro ponto, é a parte de capital, pois as empresas precisam de capital, principalmente as startups, e a Intel facilita o meio de campo entre o fabricante e a empresa que está inovando.

De acordo com Ailton Jussani, é indispensável ampliar o diálogo entre a indústria e gestor do hospital. “Os processos têm que ser simples, de maneira que o profissional de saúde tome a decisão certa em relação ao paciente para evitar o menor risco possível. A rapidez do processamento de informações é imprescindível”, contou ele.

“Tecnologias precisam otimizar o atendimento. É fundamental integrar e unir todas as aéreas com suas devidas importâncias para que sejam aplicadas”, pontuou André Santos.

Planejar é preciso!

Ainda de acordo com Bruzadin, planejar é preciso na área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. “Deve haver bastante planejamento de como a inovação pode ser praticada no futuro, assim como verificar o que é vital no mercado, qual é o impacto disso no cotidiano, principalmente na área da saúde. Temos que trabalhar provas concretas para quebrar barreiras”, enfatizou.

Já para Júnia Cordeiro, a barreira está dentro dos hospitais. “Precisamos evoluir e investir em pesquisa e aprofundamento, porque os médicos não aceitam inovação se não tiver evidência científica, infelizmente”, disse ela, que ainda complementou: “O profissional na beira do leito quer resolver o problema do paciente, porém cabe ao gestor fazer a parceria com a indústria para ser um grande facilitador, sendo assim ambos os lados ganham, mas é necessário dar oportunidade”.

Para Ailton Jussani, inovar é essencial, porém recursos nem todos têm. “As demandas mais urgentes precisam ser pensadas, mas antes é primordial fazer uma reflexão sobre o que seria importante para os profissionais da linha de frente, para que os fabricantes de produtos médicos possam pensar na melhor maneira de atender aos profissionais”, apontou.

“Na minha opinião, cabe ao gestor da indústria abrir a cabeça para o que é novo. Precisamos de uma indústria com uma nova visão, porque a inovação é algo que vai impactar a saúde pública”, frisou Júnia, que ainda enfatizou: “Para abrir a cabeça, esse gestor precisa participar de fóruns como o Cimes, além de investir em estudos e pesquisas científicas, sair de dentro dos laboratórios e entender que a inovação tecnológica é uma nova forma de atender às necessidades”.

Para melhor compreensão da gestão da inovação na empresa é impreterível, dentre outros aspectos, assimilar como a inovação pode impactar no aumento de competitividade do negócio, tanto em termos de diferenciação no mercado, quanto por meio do aumento de produtividade e a redução de custos. “A inovação e as novas tecnologias precisam ser aplicadas. Tem que investir em estudos, mas sair da mesa redonda e colocar em prática”, falou André Santos.

Olhar para a própria empresa, entender e conhecer sua cultura e seus valores, pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, explicitando e desdobrando sua estratégia de inovação. Conhecer e aplicar métodos e técnicas de gestão essenciais para estruturar os processos, saber identificar as principais barreiras às inovações e visualizar como transpô-las. “Sabemos que as empresas têm limites de budget. O gestor vai ouvir o que necessariamente precisa, mas com recursos limitados, cada indústria vai procurar fazer o seu melhor com o orçamento que tem”, finalizou Júnia Cordeiro.

No final do evento, Donizetti Louro reiterou que a condição necessária para a gestão estratégica da inovação se consolida com a governança de dados e inteligência nas decisões, aumentando a resposta advinda do mercado e das práticas médicas e odontológicas.

 

Fonte: ABIMO/Dehlicom